Um Pé de Poesia


17/10/2010


Espelho



Não sou aquele que ama
Mas o que vive para aprender.
Não sou o que sofre
Mas o que faz sofrer.

Gritos não me abalam
Mas, feridas me sangram

Não sou aquele que procura
Mas o que perde.
Não sou o que chama
Mas o que espera.

Calo-me gritando
E choro por dentro
Por vergonha do espelho.

Não sou o que basta
Mas o que atormenta.
Não sou o que falta
Mas o que sobra.

Não sou o que penso ser
E não sou o que deseja meus olhos.

Eu sou por fim,
Um corpo estranho em mim.




Ton Rasec

Escrito por tonrasec às 18h52
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27/07/2010


Perdoe

 

  

Perdoe o cheiro do mato

O tom azul do sanhaço

A flor no leito do rio

Perdoe a onça no cio.

Perdoe o dourado do mico leão

E o voar do azulão

O pôr-do-sol e as estrelas

Perdoe a grama rasteira.

Perdoe o gado e a mata

O serenar da cascata

O céu azul e as palmeiras

Perdoe a cobra e a presa.

Perdoe o cantar da araponga

O mar, as praias e as ondas

O entardecer e a noite

Perdoe o inhambu que se esconde.

Perdoe a cor do canário

O rio, os peixes e os lagos

O vento a chuva e o frio

Perdoe o pardal no seu fio.

Perdoe o tigre por matar

E o seu cão por ladrar

O bem-te-vi e as garças

Perdoe os pombos nas praças.

Perdoe o condor por planar

E o gavião por caçar

Enfim, perdoe a mãe natureza

Por ter parido a beleza.

 

 

 

Ton Rasec

Escrito por tonrasec às 10h40
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Escrito por tonrasec às 10h40
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A Perda

 

 

Perdi a conta das vezes em que

Lembrei-me de ti, numa tentativa

Desesperada de te esquecer.

Pois ao te dar o meu mais nobre sentimento

Esvaziei-me.

 

E mais ficou em mim

Quando de mim se ausentou.

Hoje trago no rosto a saudade

Do meu sorriso e no peito

O que me proibiu sentir.

 

Perdi a conta das vezes em que

Lembrei-me de ti, sem saber na verdade,

Se te esquecer;

Era o que realmente queria lembrar-me.

 

 

 

Ton Rasec

Escrito por tonrasec às 10h39
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12/07/2010


Silêncio

 

 

Faltou dizer que era preciso

um pouco mais de amor,

e todo amor dói,

por isso, era preciso deixar doer

para quem sabe assim,

amar, mesmo que dorido.

 

Faltou dizer que era preciso

mais sentimento e todo sentimento

fere, por isso, era preciso

deixar-se ferir, para quem sabe assim,

amar, ainda que ferido.

 

Faltou dizer que era preciso

arder a paixão

e toda paixão machuca

por isso, era preciso deixar-se machucar

para quem sabe assim,

amar, mesmo com as cicatrizes.

 

Faltou dizer que não era preciso

dizer tudo que dissemos

pois toda palavra cala,

silência e estraçalha o peito

por isso, daqui pra frente,

apenas nos olhemos,

para quem sabe assim,

amar, mesmo que em total silêncio.

 

 

 

Ton Rasec

Escrito por tonrasec às 12h26
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O desafio de me amar

 

 

Aceite o desafio de me amar

vencendo a distância que nos separa

sendo para sempre o braço que me ampara

e num longo beijo, a boca que me cala.

 

Aceite o desafio de sofrer o amor

vencendo a dor que nos estraçalha

sendo para sempre a minha outra cara

onde mais sorria, onde mais chorava.

 

Aceite o desafio de se dar

vencendo o medo de se perder de ti

e em mim se achar

sendo para sempre o fim de desejar

e definitivamente, se entregar.

 

Aceite o desafio!

Não corra do que te faz me buscar

Do que te faz me querer

pois meu amor desafiou seu coração

Agora estou em suas mãos

Portanto, escolha:

ou me aceite em seu peito,

ou se entenda com a  solidão.

 

 

Ton Rasec

Escrito por tonrasec às 12h25
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A Procura

 

 

Procurei no silêncio

teu grito mais rouco

e feito um louco, te invadi.

Procurei em tua pele

o suor que me molha

e em ti me cola.

Ponteei na viola

a canção que cômpus

com o bem-te-vi

beijando a flor de teu sorriso

qual um colibri.

Procurei por dentro

o amor onde me perdi

e tu chegaste a tempo

em meu corpo me impedindo

de partir.

Garimpei teu prazer

a procura da riqueza de teu ser

e pedi a lua que lá no céu flutua

o brilho de tua figura

fissura de meu coração

que inconsequente se coloca

novamente em tuas mãos.

 

 

Ton Rasec

Escrito por tonrasec às 12h23
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01/07/2010


Ausência

 

  

Atormenta-me a ausência tua

E se aqui não a tenho

Por aqui não estou

E se longe vais

Por aqui não me encontro.

 

Não me levas em ti

E em mim não morres

E ainda assim,

Me matas, por tanta vida tua

Em mim viver.

 

 

  

Ton Rasec

Escrito por tonrasec às 11h48
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Alguém

 

 

Procuro alguém que me procura

Ando atrás de alguém que atrás de mim está

Que chore minha tristeza e desvende

Meus mistérios e meus olhos

Preciso de alguém que de mim precise

Busco alguém que me busca

Que me cale com seu olhar

E entenda o meu silêncio

Que saiba dos meus medos e me perdoe

Corro aos braços de alguém

Que os meus esperam

Atrás de alguém que

Não encontrei e conheço

Que não tenho e ainda assim, é meu!

Alguém que me tenha como seu

E que não me culpe por procurar por

Alguém que me tire desse ninguém que me tornei

 

 

Ton Rasec

Escrito por tonrasec às 11h47
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25/06/2010


Em minha ilusão

  

 

Onde mais posso te encontrar

se não em mim e tendo assim

como sempre quis, sua companhia;

te consumindo em minhas mãos

e me pedindo perdão por sucumbir

mais uma vez a sua tentação.

Loucuras de um poeta

que espreita por entre as frestas

o amor acuado num canto escuro

e frio de seu coração

e que ainda assim, arde nas chamas

da paixão.

E como não poderia deixar de ser,

novamente, volto a te ter em minha ilusão.

 

 

Ton Rasec

Escrito por tonrasec às 09h15
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O Que Me Domina

 

 

O poeta que me reside

Me faz amar o que não tenho

Me faz enxergar o que não vejo

Me faz procurar o não perco

 

O poeta em mim

Me faz jurar o que minto

Me faz lembrar o que esqueço

Me faz gozar o que não sinto

 

O poeta que me habita

Faz sua paixão preencher o meu

Vazio

Faz meus olhos chorarem o que sua

Boca sorri

Me faz responder o que nunca ouvi

 

O poeta que me acompanha

Me faz gritar para o que me cala

Me faz guiar o que me perde

Me faz despertar o que me

Adormece

O poeta dentro de mim

Me faz sonhar com o que mais me

Apavora

Me fazendo amar, mesmo que por

Poucas horas, tudo que sem esse

Louco poeta, jamais ousarias

Tentar.

 

 

Ton Rasec

Escrito por tonrasec às 09h14
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13/06/2010


O Poeta

 

 

 

 

O poeta só

Faz-se companhia

E música, sua tristeza.

E dança, seu desespero.

E fumaça, sua agonia.

 

E só,

O poeta se acompanha.

E se discute

E se desespera

E se desentende

E se compreende.

 

O poeta falta em ti

E busca no outro,

O que perdera em si.

 

O poeta

Ama seu outro

E ama o outro

O seu poeta.

 

 

 

Ton Rasec

 

 

 

Escrito em parceria com Fabiano R. Almeida

No dia em que eu o li e ele me escreveu.

Escrito por tonrasec às 18h37
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03/06/2010


Meu Lar

 

 

 

Entre!

Essa é minha vida

E perdoe sua timidez

Pois, há muito ela não recebe sua

Visita.

Acomode-se!

Esse é meu coração

E perdoe sua frieza

Pois, há muito ele convive somente

Com a sua incerteza.

Aqueça-se!

Esses são meus braços

E perdoe a sua fragilidade

Pois, há muito eles convivem

Somente com a sua saudade.

Repouse!

Esse é meu corpo

E perdoe a sua desatenção

Pois, há muito ele convive somente

Com a sua solidão

Enfim,

Esse sou eu!

E perdoe a minha insegurança

Pois, há muito vivo

Somente com a sua lembrança.

 

 

 

                               Ton Rasec

 

Escrito por tonrasec às 16h53
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01/06/2010


Meias Palavras

 

  

Amo através das palavras

Que escrevo.

E hoje minhas letras te escolheram

Para amar.

Te amarei até o final deste poema

Depois não sei dizer.

Talvez volte um dia

Em minhas palavras,

Talvez nunca mais te escreverei.

Mas te prometo que até o final

Deste poema, meu amor é seu.

Fiel, sólido e imaculado.

Sem nunca ter vivido amor igual,

Só não se esqueça,

Que todo poema tem um ponto

Final.

   

 

 

Ton Rasec

Escrito por tonrasec às 10h54
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25/05/2010


Janelas

 

 

Abro as janelas do meu peito

Aquarela à luz de vela

Velejando em outro mar.

Sonho com ela onde a passarada e a

Cantilena

Revoam nas vielas do meu coração.

Te faço promessas e a capela em

Minha voz

Tu conheces bem;

E eu te levo pela mão.

Segui andando e sem saber

Cheguei aqui, vim por ai

E foi justamente em mim que te

Encontrei

Trouxe na mala uma porção de

Sentimentos onde aumento o meu

Desejo em ter você.

Por isso, torno a abrir minhas

Janelas e para sempre as abrirei,

Para te ver sorrindo em meu peito

Outra vez.

 

 

Ton Rasec

Escrito por tonrasec às 09h17
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