Espelho
Não sou aquele que ama
Mas o que vive para aprender.
Não sou o que sofre
Mas o que faz sofrer.
Gritos não me abalam
Mas, feridas me sangram
Não sou aquele que procura
Mas o que perde.
Não sou o que chama
Mas o que espera.
Calo-me gritando
E choro por dentro
Por vergonha do espelho.
Não sou o que basta
Mas o que atormenta.
Não sou o que falta
Mas o que sobra.
Não sou o que penso ser
E não sou o que deseja meus olhos.
Eu sou por fim,
Um corpo estranho em mim.
Ton Rasec


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